O Projeto de Lei 4569/24, de autoria do deputado Professor Alcides (PL-GO), que atualmente tramita na Câmara dos Deputados, visa implementar uma regra que proíbe agentes públicos, incluindo prefeitos e governadores, de praticar atos administrativos relacionados a concursos públicos durante o ano eleitoral. O projeto também propõe a revogação do trecho da Lei das Eleições que permite a nomeação de candidatos aprovados em concursos homologados até três meses antes das eleições.
A iniciativa surge em um contexto em que a relação entre a administração pública e o processo eleitoral tem sido objeto de críticas. O parlamentar argumenta que a possibilidade de nomeação de aprovados gera um ambiente propício para trocas políticas, comprometendo a neutralidade do pleito. Segundo o deputado, “a ação é indispensável para que condutas abusivas sejam coibidas, garantindo assim a observância do princípio da eficiência da administração pública e, principalmente, a impessoalidade em ano eleitoral”.
O projeto levanta importantes questões jurídicas, especialmente no que tange ao Artigo 37 da Constituição Federal, que estabelece os princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência na administração pública. A proposta, ao reforçar a impessoalidade, busca mitigar influências indesejadas nas decisões administrativas em momentos críticos, como os anos eleitorais.
“Esse projeto é um passo importante para a despolitização dos concursos públicos, uma vez que nossos processos seletivos devem ser baseados apenas no mérito e não em conveniências político-partidárias”, avaliou a professora de Direito Administrativo, Maria Gomes.
A tramitação do projeto seguirá inicialmente nas comissões de Administração e Serviço Público, e a de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), antes de ir ao Plenário. Para se transformar em lei, a proposta deve ser aprovada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.
Os impactos da aprovação dessa proposta podem ser significativos, como a potencial redução de práticas políticas abusivas e a promoção de um ambiente mais equitativo nos concursos públicos. Além disso, a medida poderá servir como um incentivo à transparência e à moralidade na administração pública, refletindo diretamente na confiança da população nas instituições e no processo eleitoral.

